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***TO LET THE CAT OUT OF THE BAG - NOTE-BOOK OF HOPE - COSMIC MEMORY ***CONTRA OS EPÍGONOS DO APOCALIPSE - GRATIDÃO, OXIGÉNIO DA ALMA - ECOS DO FUTURO

sexta-feira, maio 05, 2006

QUERIDO PANDA

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A ternura em figura de panda chamado Xiang Xiang vem até aqui ao meu blogue pelo jornal «estado de s. paulo» a quem agradeço a notícia. Vão lá, espreitam, para ver a foto do Xiang Xiang, a ternura em pessoa. E esqueçam os tibetanos em cativeiro na sua pátria.

««CHINA FARÁ A PRIMEIRA LIBERTAÇÃO DE PANDA CRIADO EM CATIVEIRO
PANDAS ESTÃO ENTRE OS ANIMAIS MAIS RAROS DO MUNDO
In «estado de s. paulo», 27 de abril de 2006 - 16:34

PEQUIM - Um centro de pesquisas do sudoeste da China planeja libertar na floresta, pela primeira vez, um panda criado em cativeiro, informa a agência de notícias estatal Nova China. Xiang Xiang, um macho de 4 anos, criado no Centro de Pesquisas de Pendas Gigantes Wolong, da Província de Sichuan, será solto nesta sexta-feira, depois de quase três anos de treinamento. Ele será rastreado por GPS.

«A experiência de Xiang Xiang "ajudará cientistas a estudar como pandas criados artificialmente se adaptam na vida selvagem", disse o chefe do centro, Zhang Hemin, segundo a Nova China. O panda começou a ser treinado em 2003, e aprendeu a fazer uma toca, procurar comida e demarcar território. "Ele também desenvolveu perícias defensivas, urrando e mordendo como um panda selvagem faria", disse Zhang.

«O treinamento teve início numa área a céu aberto de 2.000 m2, e depois foi transferido para outra área, dez vezes maior, a fim de simular um ambiente natural. Xiang Xiang será solto na lata temporada dos brotos de bambu, o que tornará mais fácil para o panda encontrar comida.

«Pandas estão entre os animais mais raros do mundo. Cerca de 1.600 sobrevivem nas montanhas da China central, e mais de 180 vivem em cativeiro. A espécie está ameaçada pela destruição do habitat, caça criminosa e baixa taxa de reprodução. Na natureza, as fêmeas geralmente têm um filhote a cada dois ou três anos.»»
***

ADEUS ZORITA

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Antes assim que pior. Enquanto a central nuclear de Almaraz – junto à fronteira portuguesa - continua a ser notícia por causa das avarias, vem a notícia que deve ter agradado particularmente ao guru Patrick : encerrou Zorita o que justifica uma ou duas ou três centrais em território português. Sejamos modestos e brindemos aos 38 anos de vida útil.

««CENTRAL JOSÉ CABRERA FECHA APÓS 38 ANOS - ESPANHA ENCERRA HOJE A SUA PRIMEIRA CENTRAL NUCLEAR

«30.04.2006 - 10h35 in jornal «PUBLICO».PT

«A central nuclear espanhola José Cabrera, conhecida como "Zorita", em Guadalajara, encerra hoje às 23h30. É uma vitória para os ambientalistas mas um problema para os trabalhadores e para as autarquias locais, que cuja povoação depende economicamente da central.

«A decisão de encerrar a central foi tomada pelo governo de José Maria Aznar em 2002 e põe fim a um ciclo de vida de uma central com 38 anos. É a central mais antiga de Espanha e a primeira a ser encerrada de forma programada.

«Hoje a central será desligada da rede, progressivamente. A produção de energia do reactor já está a diminuir e deve chegar aos 118 megawatts negativos à tarde, para que esteja a zero megawatts na hora do encerramento.

«Dentro de uma semana, o reactor, que até aqui era refrescado com águas do rio Tejo, será inundado e serão retiradas as 69 barras de urânio.

«A empresa Unión Fenosa, proprietária da central nos próximos três anos, vai supervisionar as operações complexas para desmantelar a fábrica, que só devem terminar em 2015 e custarão 170 milhões de euros.

"Zorita" fecha e deixa uma povoação de 800 pessoas, de Almonacid de Zorita, a desejar o seu regresso. Os habitantes desta povoação a três quilómetros da central não temem a energia nuclear e a sua economia depende da estrutura que se criou em torno da central. Outras vilas, como Albalate de Zorita e Pastrana, também serão afectadas pelo fim da central.

O encerramento da central nuclear José Cabrera não agrada, portanto, a todos. Os ambientalistas, os grandes vencedores da batalha contra a energia nuclear, organizaram-se em plataformas como a "Zorita nem mais um ano", e contaram com o apoio de políticos de várias forças, sobretudo da esquerda espanhola, sindicatos, comissões de moradores. Todos vão hoje brindar, às 13h00 locais (12h00 em Lisboa), ao encerramento da central.

"Zorita" fecha em pleno debate sobre o regresso da aposta na energia nuclear e dias depois do aniversário dos 20 anos do desastre de Tchernobil, na Ucrânia. »»
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VIVA A FOTOVOLTAICA

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Como não sou perfeccionista digo sempre antes assim que pior: ou seja, que os estrangeiros continuem a colonizar este território que aparentemente se chama Portugal dos portugueses. Se a colonização for fotovoltaica, mesmo que fale alemão, que remédio! Com as platónicas saídas do filósofo Sócrates naturalmente nem a Peniche vamos quanto mais às Berlengas.
Registo a notícia tirada do «diário digital»



««PORTUGUESA SOLAR PLUS QUER LIDERAR PAINÉIS SOLARES NA EUROPA

in «diário digital», 01-05-2006 11:01:03

««A maior fábrica da Europa de produção de painéis solares começa a ser construída no final do mês em Oliveira do Bairro, com um investimento em torno de 15 milhões de euros e que permitirá numa primeira fase a criação de 100 empregos directos (20% dos quais qualificados) e de 300 indirectos, refere o jornal Público esta segunda-feira.
«A responsabilidade do investimento é da Solar Plus - Produção de Painéis Solares, uma sociedade anónima (SA) constituída por 80% de capitais portugueses (maioritariamente pela Eurico Ferreira e pela Telcabo), tendo como parceiros tecnológicos os norte-americanos da Energy Photovoltaics Inc. (EPV).
«No fim de 2006 começarão a ser construídos os primeiros dos 125 mil painéis previstos para o primeiro ano de laboração desta unidade que tem como ambição tornar-se a maior do mundo no seu segmento.
«O entusiasmo com o desenvolvimento da Solar Plus, criada em Dezembro último, leva Francisco Gouveia, administrador da empresa, a estebelecer como meta «duplicar a produção durante o ano de 2007, um investimento que poderá ascender aos dez milhões de euros (...)».
01-05-2006 11:01:03 »»
***

VIVA O PNUMA

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Reaparece nos jornais a sigla PNUA – Programa das Nações Unidas para o Ambiente –que há bastantes anos ainda se designava PNUMA e que teve uma época áurea de intervenção nos destinos humanos. Ao que parece o novo director, Achim Steiner, quer regressar a esses tempos e ainda bem Por isso a boa notícia que deixamos registada. Viva o PNUMA com farda nova.

CONSERVAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS PASSA PELA ERRADICAÇÃO DA POBREZA - SOLIDARIEDADE E DESENVOLVIMENTO

in «o primeiro de janeiro», 1-5-2006

««O desenvolvimento sustentável no Mundo só é possível com mais solidariedade. A convicção é do recém-eleito director executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, que está desiludido por a luta contra a pobreza não ter evoluído desde a Cimeira da Terra.
O recém-eleito director executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) considera que a conservação dos ecossistemas no Mundo só será conseguida através da erradicação da pobreza, constituindo um dos actuais desafios ambientais. “O desenvolvimento sustentável significa implicitamente a erradicação da pobreza. Este é o maior desafio actual”, afirmou esta semana em Copenhaga, em entrevista a um grupo de jornalistas. Para Achim Steiner “são as nações mais pobres que estão a manter os ecossistemas”, sendo por isso “necessária uma maior solidariedade para se alcançar um desenvolvimento sustentável no Mundo”, acrescentou.
O recentemente eleito director executivo do PNUA, que entra em funções a 15 de Junho, participou numa conferência sobre «Gerir os Ecossistemas para Lutar Contra a Pobreza», manifestando-se “desiludido” com a luta contra a pobreza por parte dos países desenvolvidos, área que considera não ter evoluído desde a Cimeira da Terra. A conferência da ONU sobre Ambiente e Desenvolvimento realizou-se no Rio de Janeiro, em 1992, tendo como principais resultados o Protocolo de Quioto e a Convenção sobre a Biodiversidade.

Cliché
Steiner defendeu que os países mais desenvolvidos devem despender meios financeiros em África, América Latina e Ásia. “Há a imagem cliché que todos queremos proteger a floresta, mas não se pensa que há quem viva dela”, adiantou. O responsável considerou ainda ser este um momento importante para mudar a situação, através da reforma das Nações Unidas, que permitirá criar uma plataforma multilateral na área do Ambiente, e através de uma abordagem dos problemas ambientais numa perspectiva económica.
Achim Steiner elogiou ainda o “papel chave” na União Europeia na política ambiental, através do seu papel de “pressão” para que os países cumpram os seus compromissos e de legisladora, dando como exemplo a directiva-quadro da água e as mudanças na Política Agrícola Comum. O futuro responsável pelo PNUA detectou, no entanto, a necessidade de mais acção na política internacional de ambiente. A conferência, organizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiro da Dinamarca e pela União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, nas siglas em inglês) foi realizada a propósito do primeiro aniversário da divulgação da «Avaliação dos Ecossistemas do Milénio» da ONU, feita por mais de 1.300 cientistas.

Steiner Apontado por Annan
Segundo as conclusões do documento «Avaliação dos Ecossistemas do Milénio» das Nações Unidas, 60 por cento dos ecossistemas mundiais estão actualmente em degradação ou são explorados de forma não sustentável. O alemão Achim Steiner, actual director-geral da IUCN foi eleito para o cargo de director executivo do PNUA, com sede em Nairobi (Quénia), em Março deste ano para um mandato de quatro anos. O nome de Achim Steiner para ocupar o cargo foi recomendado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, sucedendo a Klaus Toepfer, que está à frente dos destinos do PNUA desde 1 de Fevereiro de 1998.»»
***

CHERNOBYL 2006

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ALGUMAS VERDADES SOBRE CHERNOBYL

Segundo informações de José Carlos Marques, que colocou na Ambio Archives o texto a seguir, foi o site do Movimento Partido da Terra (MPT) que originalmente o publicou. Sublinhe-se que o deputado Pedro Quartin Graça, militante do MPT, foi eleito nas listas do PSD e é deputado neste grupo partidário. Anterior a estas versões, existe um texto muito semelhante elaborado no âmbito da Plataforma contra o Nuclear e que a maior parte dos media evitou dar guarida. Os desabafos do sr. Patrick Monteiro de Barros (que nome giro para um empresário de sucesso !) são evidentemente muito mais mediáticos. Este pequeno mundo termina sempre onde começou. Em curcuito fechado. Com ou sem Sócrates, em diálogo com Platão, o circo continua.
Eis o texto assinado por Pedro Quartin Graça, deputado do PSD na A da R.


««1
Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Foi em 26 de Abril de 1986, faz hoje precisamente 20 anos, que
ocorreu o grave acidente nuclear na central de Chernobyl em Kiev,
na Ucrânia.

Tragédia provocada por falha humana e de consequências que
ainda hoje perduram, um estudo publicado no passado dia 21 de
Abril pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Cancro, da
Organização Mundial de Saúde, estima em 16.000 o número de
cancros da tiróide e 25.000 de outro tipo que irão surgir na Europa
até 2065, sendo que estes darão origem a mais de 20.000 mortes
directamente ligados a Chernobyl ou seja, quatro vezes mais do que
o número de mortes antes calculado para o Velho Continente devido
à nuvem radioactiva.

2
Sendo certo que a maior parte das mortes respeitará às populações
mais directamente expostas, seguro é também que vastas
populações da Ucrânia, da Bielorússia, da Federação Russa foram
afectadas.

Mas também os países da Europa Ocidental, desde a França à
Irlanda, o foram. Na verdade, e de acordo com dados de Abril deste
ano da Agência Internacional para a Pesquisa do Cancro, calcula-se
que sejam 570 milhões os europeus atingidos pela nuvem
radioactiva de Chernobyl.

Ao evocar hoje Chernobyl, pretendemos, antes de mais, prestar
homenagem a todas as vítimas da energia nuclear dita «pacífica».
Mas, ao mesmo tempo, e pensando no futuro de todos nós,
queremos também alertar para a necessidade de contrariar a falsa
propaganda que o lobby pró-nuclear vem ultimamente fazendo com
o objectivo de tentar impor em Portugal a construção de centrais
nucleares.

Dessa propaganda ressalta:
1. O esforço por negar a gravidade do acidente de Chernobyl;

2. A afirmação de que um acidente de gravidade comparável já
não seria possível hoje;

3. A falsa ideia de que um acidente como esse nunca teria sido
sequer possível num país do Ocidente, tentando assim
menorizar a sua importância ao assimilá-lo ao colapso dos
sistemas sociais do Leste Europeu no final da década de 1980.

4. A ideia, igualmente falsa, que as centrais nucleares da
actualidade são seguras e, pasme-se, «amigas do ambiente» e
até cumpridoras dos objectivos de Quioto!

Por último, a tentativa de convencimento dos portugueses de
que a energia nuclear é barata e é a solução única para os
problemas energético do país.

As razões para estas manobras de propaganda são óbvias!

Negar, menorizar ou falsear o que se passou em Chernobyl é uma
peça essencial para tentar que a opinião pública portuguesa diminua
o elevado grau de rejeição que tem em relação às centrais
nucleares, como etapa para as poder impor a seguir.

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,

Para além da dificuldade de se obterem dados fiáveis e concretos
sobre o acidente de Chernobyl mas também sobre os demais
acidentes que têm ocorrido, muitas vezes ocultados pelos próprios
Governos, os promotores do nuclear sabem bem que o acidente de
Chernobyl está ainda vivo na memória dos portugueses de então, e
até na mente de muitos jovens de hoje que não eram sequer
nascidos, mas que dele ouviram falar, que o estudaram nas escolas
ou dele se informaram nos jornais, rádios, televisões e internet.

Para os promotores do nuclear vale tudo! Da legítima sensibilização
dos partidos à grosseira manipulação dos órgãos de comunicação
social, da influência junto dos governantes à criação e divulgação de
pretensos estudos de opinião ou pseudo sondagens sem qualquer
base científica, a tudo assistimos nos últimos meses desde que, com
pompa e circunstância, o lobby pró-nuclear, surgiu publicamente.

Mas, para levarem os seus objectivos até final, os pró-nuclearistas
têm de manipular e falsear de forma grosseira a realidade, na
esperança de que se cumpra o velho ditado segundo o qual uma
falsidade muitas vezes repetida passa a ser considerada como
verdade.

Os factos são, porém, indesmentíveis.

Em primeiro lugar: Chernobyl foi e continua a ser o maior acidente
tecnológico da história da humanidade, de consequências mais
devastadoras e de envergadura sem comum em comparação com
qualquer outro. Não ³apenas² e simplesmente o maior acidente
nuclear, como alguns dizem, mas o maior acidente tecnológico de
sempre.

Em segundo lugar: continua a não ser possível eliminar a
eventualidade de um acidente grave numa central nuclear, por mais
baixa que seja em teoria a respectiva probabilidade. Ora, em que
consiste um acidente grave numa central nuclear? Simplesmente, na
libertação maciça de radioactividade sem controlo, nos solos, nas
águas, no ar, na fauna, na flora, nas pessoas, no ambiente.

Embora em todas as tecnologias se façam esforços e se tenda para
um aumento da segurança, e o mesmo aconteça na indústria
nuclear, a gravidade da libertação maciça de radioactividade não
tem termo de comparação possível. É por isso que a opção nuclear
é social e eticamente inaceitável. Existe apenas uma maneira de
garantir que jamais se produzirá, com origem em determinado
território, um acidente dessa gravidade: é não construir nele
qualquer central nuclear.

Em terceiro lugar o facto de, apenas por um triz, e isso está bem
documentado, um acidente de gravidade comparável ao de
Chernobyl, ou mesmo superior, não ter acontecido no Ocidente.

Foi o caso de Windscale, em Inglaterra, nos anos 50 (local este que
viria a ser rebaptizado Sellafield para efeitos de cosmética); e nos
Estados Unidos da América, em 1979, em Harrisburg, Three Mile
Island.

Para sermos rigorosos, e desde que se iniciou a actividade nuclear
nos anos 50 do passado século, houve incidentes anuais em
praticamente todas as centrais de produção de electricidade e em
unidades de processamento de combustível e tratamento de
resíduos.

Vejamos mais alguns exemplos:
- Chalk River (Canadá, 1952), fusão parcial do núcleo com
contaminação radioactiva da água de refrigeração;

- Hanford (EUA, 1970), fuga radioactiva no tanque de armazenagem
de resíduos;

- Greifswald (RFA, 1976), fusão parcial do núcleo com incêndio
grave e falha dos circuitos de segurança;

- Tokay-Mura (Japão, 1999), grave acidente na unidade de
processamento de combustível;

- Mihama (Japão, 2004), fuga no circuito de vapor.

A ideia, hoje ventilada, de que existiriam centrais nucleares ditas de
«nova geração» que não estariam sujeitas à eventualidade de um
acidente grave, não passa, ela também, de uma arma de
propaganda. Certamente que tem sido possível melhorar os
sistemas de segurança na indústria nuclear. Mas nenhuma
tecnologia pode atingir uma segurança perfeita, quer por motivos
técnicos na concepção e construção, quer por eventual erro humano
quando em funcionamento. Só por arrogância, ingenuidade ou má fé
se poderá afirmar o contrário. Ora, se nesta ou naquela tecnologia o
risco pode ser corrido, no caso da indústria nuclear o que está em
causa são os efeitos devastadores e longamente perduráveis da
radioactividade maciça incontrolada que não consentem qualquer
ligeireza na abordagem.

A maioria clara das pessoas que em Portugal prezam a vida e a
segurança, as suas e as dos seus filhos e netos, rejeita essa
pretensa solução.

Em Inglaterra, o Sustainable Devellopment Council, órgão oficial de
consulta do Primeiro-Ministro, num relatório de 2006, rejeita com
base em extensa e indiscutível documentação o recurso ao nuclear
mesmo só para substituir o existente.

Segundo informações dadas pelo governo na Câmara dos Comuns,
em Fevereiro passado, 311 explorações agrícolas na Escócia
continuam sujeitas a medidas de segurança devido a Chernobyl, e
isto a quase 3000 km de distância.

Temos pois de perguntar, e esta pergunta destina-se,
evidentemente, aos defensores do nuclear: que planos de
evacuação praticáveis em Portugal em caso de acidente grave
seriam postos em prática? Quem seria responsável por eles e pela
sua execução? Quem pagaria os custos da elaboração desses
planos e da sua manutenção em prontidão permanente? Quem
seguraria e resseguraria essas centrais e com que limites? Quem
pagaria e até que montante os prejuízos decorrentes em pessoas e
bens? Quem repararia os danos ambientais, de que modo, e por
quanto tempo? Quais os cálculos que, incluindo todos esses custos,
permitiriam uma estimativa realista do custo do kw/hora produzido
nessas centrais?

Aos problemas relativos à possibilidade de existências de acidentes
graves acrescem os resultantes do verdadeiro quebra-cabeças e
que não tem solução que é o problema dos resíduos altamente
radioactivos por centenas de milhares de anos e a radioactividade
de baixas doses libertada em laboração normal. Esses problemas
existem em toda e qualquer central nuclear, quer haja ou não haja
acidente grave.

Há pois numerosas razões para rejeitar a opção nuclear. E a menor
delas não é certamente o obstáculo que a energia nuclear
constituiria para que o esforço da sociedade se concentre
verdadeiramente na promoção do combate ao desperdício
energético, no aumento da eficiência energética e no aumento das
energias renováveis de baixo impacto ambiental.

Mas ainda que não existissem essas razões, bastaria a
eventualidade de acidente grave para a humanidade, possibilidade
sempre presente, para fundamentar a sua rejeição.

Analisemos agora o último argumento esgrimido pelo lobby nuclear:
o económico, a alegação de que a energia nuclear é a resposta para
a crise provocada pelo aumento do preço do barril do petróleo.
Trata-se, uma vez mais, de um argumento falso. A energia nuclear é
a forma mais cara de se produzir electricidade quando se considera
o ciclo completo.

A indústria nuclear é um autêntico fiasco já que apenas sobrevive
com base em subsídios públicos, directos ou indirectos, como em
França. Nos últimos 50 anos, os subsídios públicos à energia
nuclear foram na ordem dos 145 biliões de dólares sendo que, em
contraste, os subsídios às energias renováveis se cifraram em
apenas 5 biliões.

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,

Em Fevereiro deste ano, o Primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou
publicamente que o nuclear não estava na agenda deste Governo.
Os portugueses não se sentiram sossegados com esta afirmação. E
tinham razões para isso. Na passada semana, apenas escassos
dois meses depois, foram os mesmos portugueses surpreendidos
pelo mesmo Eng. José Sócrates quando este afirmou que «Portugal
deveria desencadear um "debate racional" sobre a energia nuclear,
à semelhança do que ocorre em vários países europeus».

Mas disse mais. Citando a imprensa, para o Eng.º José Sócrates,
verifica-se uma "mudança de contexto" e ainda uma « elevação dos
níveis de segurança nas centrais nucleares nas últimas duas
décadas, após o acidente de Chernobyl».

O Primeiro - Ministro referiu ainda que, alegadamente, países como
a Grã-Bretanha relançaram o debate público sobre a energia
atómica e que um outro país europeu, a Finlândia, está neste
momento a construir uma central nuclear. Mas convém lembrar que
para além desta desonrosa excepção, não se constroem centrais
nucleares na Europa Comunitária e nos Estados Unidos desde
Chernobyl.

Tudo isto para quê?

Para, no nosso entender, e cedendo às evidentes pressões do lobby
nuclear, tentar preparar mentalmente os portugueses para a alegada
inevitabilidade de existência de centrais nucleares em Portugal.

Ocorre perguntar ao Senhor Primeiro ­ Ministro se não estará já em
preparação uma nova Comissão Científica para o nuclear,
pretensamente independente, a exemplo da malfadada comissão da
co-incineração. Mas também porque não falou o Senhor Primeiro ­
Ministro do que se passa em Espanha, aqui mesmo e lado e país
repetidamente referido por este nosso governante, noutras áreas,
como exemplo a seguir?

A resposta é simples. O Sr. Eng.º José Sócrates sabe bem, mas faz
de conta que não sabe que, em Espanha, o Governo socialista do
PSOE se comprometeu ainda este mês a ratificar a moratória
nuclear e reiterou a promessa da substituição progressiva da energia
nuclear por outras formas de energia, mais seguras, mais limpas e
menos custosas.

Espera-se, aliás, para breve o início do programa de fecho e
desmantelamento em Espanha das centrais nucleares existentes,
até ao ano de 2015.

Em Portugal, qualquer decisão política que possa ser tomada nesta
matéria, nunca o poderá ser sem a clara, inequívoca e directa
participação da população, através da figura do referendo nacional.
Até lá, é a memória e o empenho daqueles que, há 30 anos, lutaram
contra o nuclear em Ferrel que nos permite hoje, como no passado,
continuar a afirmar com redobrada convicção:

NUCLEAR DE NOVO, NÃO OBRIGADO !

Assembleia da República, 26 de Abril de 2006

O DEPUTADO
Pedro Quartin Graça»»
***