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terça-feira, fevereiro 28, 2006

MAIS EÓLICAS

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ANTES ASSIM

Preferia que as notícias me falassem de «poupar energia» e que o poder político se empenhasse em políticas de poupança, mas os aerogeradores estão na moda, são negócio e há que sublinhar. Carlos Pimenta também dá sinal de vida, de vez em quando, apelando ao bom senso e criticando as megalomanias, o que é sempre de saudar. Obrigado a todos, em nome das gerações que hão-de (vir) viver.

««In «porta da estrela», 10-2-2006-02-23
Arquivo: Edição de 10-02-2006

««ENERNOVA INSTALA DOIS PARQUES EÓLICOS NA SERRA DA ESTRELA

«A empresa Enernova, do grupo EDP, vai instalar dois parques eólicos nos concelhos de Seia e Covilhã. Os projectos vão ser implementados ao longo da cordilheira da Serra da Estrela, nas zonas de Alvoaça e Pedras Lavradas.
«A empresa Enernova - Novas Energias, do grupo EDP, vai instalar dois parques eólicos nos concelhos de Seia e Covilhã. Os projectos, que vão ser implementados na cumeada existente na extremidade Sudoeste do Parque Natural da Serra da Estrela, nas zonas de Alvoaça e Pedras Lavradas, já foram aprovados pela Câmara de Seia.
«O parque da Serra da Alvoaça vai ter 10 aerogeradores nas freguesias de Alvoco da Serra e Teixeira (Seia) e Erada (Covilhã). O parque de Pedras Lavradas terá sete unidades geradoras, na freguesia de Teixeira. Cada aerogerador terá 2000 Kw (quilowatt) de potência unitária, correspondendo a uma potência instalada de 20 Mw (megawatt) e uma produção média anual estimada de 50,8 milhões de kilowatts por hora.
«A Câmara de Seia refere, em comunicado, «considerando o consumo médio de electricidade por habitante, em Portugal, estima-se que a produção eléctrica dos dois parques possa satisfazer as necessidades de cerca de 15.000 habitantes».
«Para instalação de um parque eólico é necessária «uma área mínima de 100 hectares de terreno» num local não urbanizado, «sendo que apenas dois ou três por cento dessa área é ocupada, ficando a restante disponível para utilizações de carácter agrícola e florestal», refere a Câmara de Seia.
«No caso, a autarquia pretende canalizar as receitas obtidas com a instalação dos parques (nomeadamente, a renda anual pelos terrenos cedidos), «para o combate à desertificação nas freguesias que vão acolher o empreendimento». Eduardo Brito sublinhou que as receitas vão ser totalmente investidas na pavimentação da estrada Vasco Esteves de Baixo, Aguincho, Frádigas. «Trata-se de uma mais valia económica e financeira para o concelho de Seia, sendo ao mesmo tempo um exemplo a seguir, visto tratar-se de produção de energia renovável», refere o autarca.
«A autarquia recorda que é objectivo da União Europeia que, «no ano 2010, uma fatia de 15 por cento» das necessidades energéticas dos países membros seja alimentada «a partir de energias renováveis».
«Ambos os empreendimentos foram sujeitos a estudos de impacte ambiental, por se encontrarem em zonas protegidas da Serra da Estrela. Por isso, o presidente da autarquia espera que o Parque Natural não inviabilize a sua concretização, argumentando que vão desenvolver-se em áreas menos prejudiciais para o património ambiental da região. Aquando do início do desenvolvimento do projecto, em 1995/96, a Enernova consultou o Plano de Ordenamento do Parque Natural, verificando que o documento «prevê a possibilidade de instalação de parques eólicos no interior da área protegida», refere o Estudo de Impacte Ambiental.

««CÂMARA DE SEIA RECEBE 172.250 EUROS

«O protocolo entre a Câmara de Seia e a Enernova foi aprovada na passada terça-feira em reunião do Executivo municipal. De acordo com o documento, que deverá ser assinado dentro de dias, a Enernova propõe compensar as câmaras de Seia e da Covilhã, cada uma com 50 por cento da potência total a instalar em ambos os parques eólicos e considerando uma potência de 17 Mw, com uma verba de 34 mil euros na data da assinatura do protocolo, mais 17 mil euros na data de atribuição da licença de construção dos parques e 93.500 euros por cada Mw que à data venha a ser instalado. A Enernova entregará, ainda, às câmaras municipais durante a exploração dos parques eólicos, uma renda de 2,5 por cento da produção de 17 Mw, que se estimam em cerca de 100 mil euros anuais.
«De acordo com o projecto, a criação de postos de trabalho directos ou indirectos promovida por esta actividade, uma parte apreciável dos quais altamente especializados, é um factor cuja relevância não pode deixar de ser apontada. As comunidades envolventes beneficiam directamente durante o período de construção dos parques eólicos, quer pela obtenção de empregos nas actividades a estes ligadas, quer no fornecimento de serviços diversos, de alimentação e alojamento aos operários que participam na obra.
«O projecto de execução das obras de construção dos parques eólicos, licenciados pela Direcção Geral de Geologia e Energia e aprovados pela Câmara Municipal, incluem a beneficiação do caminho existente, abertura de valas e colocação de cabos subterrâneos, construção dos maciços de fundação, colocação dos aerogeradores e construção de edifício de comando e subestação de recepção da energia proveniente dos aerogeradores. A subestação ficará “encaixada” no terreno de forma a diminuir a sua visibilidade e a arquitectura do edifício procurará respeitar as características da região.
«A duração da fase de construção está prevista para dez meses e corresponde a um investimento na ordem dos 21 milhões de euros.
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««CARLOS PIMENTA CRITICA DESPERDÍCIO DE RECURSOS
«Inaugurado parque eólico de S. Paio com cinco aerogeradores
«09.02.2006 - 19h41 Lusa

«O Parque Eólico de S. Paio, com cinco aerogeradores e representando um investimento de 12,2 milhões de euros, foi inaugurado hoje em Vila Nova de Cerveira. O responsável pelo consórcio Empreendimentos Eólicos do Vale do Minho, Carlos Pimenta, lamentou o desperdício de recursos do país.

"Não faz sentido o panorama energético que hoje ainda temos em Portugal. É de um país rico, que não quer saber do ambiente, que polui e que resolve jogar dinheiro fora em vez de utilizar os seus recursos, como o vento, o sol e a água, e criar emprego", frisou Carlos Pimenta, na cerimónia de inauguração.

«O Parque Eólico de S. Paio, com uma potência unitária de dois megawatts, é um dos dez que até meados de 2008 vão ser construídos nos seis concelhos do Vale do Minho, um investimento de 370 milhões de euros que resultará numa potência total de 300 megawatts.

"Trata-se do maior projecto eólico de toda a Europa", salientou Carlos Pimenta. Quando o empreendimento estiver concluído, o Vale do Minho assumir-se-á como exportador de electricidade, uma vez que a que ali vai ser produzida "excederá largamente" as necessidades de consumo da região, adiantou.

«Para o responsável, Portugal precisa de fazer um investimento de "milhares de milhões de euros" em energias renováveis, porque "não faz sentido andar a queimar petróleo, gás natural ou carvão, quando temos sol, água e vento".

"A água e o vento funcionam melhor do que uma qualquer central térmica ou um qualquer projecto mirabolante de central nuclear de que por vezes ouço falar". Carlos Pimenta referiu também que é "urgente" retomar o processo das hídricas.

«O responsável salientou que as intenções do plano energético nacional, aprovado em Outubro, "estão correctas", mas lembrou que é também necessário fazer "um esforço enorme de catequese", para ensinar as pessoas, individualmente, a aproveitar energia, nomeadamente com a colocação de painéis solares nos telhados.

«Além do Parque Eólico de S. Paio, hoje foi também inaugurado o da Espiga, em Caminha, formado por três aerogeradores, com uma potência unitária de dois megawatts.

«A maioria dos parques eólicos do Vale do Minho vai debitar a sua energia na Rede Eléctrica Nacional através da subestação de Pedralva, em Braga. Para o efeito, será construída uma linha de alta tensão com cerca de 50 quilómetros, cujo traçado já foi publicamente contestado pela Câmara de Arcos de Valdevez e várias juntas de freguesia do concelho, por alegadamente passar "pelo meio das casas". Ribeiro da Silva, também da administração da Empreendimentos Eólicos do Vale do Minho, garantiu hoje que vão ser feitos "alguns ajustes" ao traçado, para minimizar os impactes sobre as zonas mais povoadas.»»
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