QUERIDOS MONTADOS
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MEUS QUERIDOS MONTADOS DO MEU QUERIDO ALENTEJO
Sou fã da melhor secção que se publica semanalmente nos jornais portugueses: «O Grande Ocidente Lusitano», Leituras da Imprensa Regional por Carlos Oliveira Santos.
Desta vez, com redobrada razão por reencontrar ali um jornal onde, nos anos 70, colaborei a convite do meu amigo (já falecido) José António Moedas. Será outro «Diário do Alentejo», diferente, mas para mim continua a ser o jornal do meu amigo Moedas.
Transcrevo o que Carlos de Oliveira Santos escreve no suplemento DNA, do «Diário de Notícias», 2 de Dezembro de 2005:
««DIÁRIO DO ALENTEJO
«Semanário regional
«Esta página foi sempre escrita na discreta convicção de que a imprensa regional tem uma percepção e um empenho muito maiores, sobre os efectivos problemas e acontecimentos que surgem em Portugal, em cada uma das suas regiões e locais.
«A prova é constante.
«Não há órgão nacional que já não tenha emprenhado com a gripe das aves, uma coisa artificialmente engrandecida que tem gerado a maior das histerias noticiosas. Contudo, há coisas que acontecem efectivamente aqui, que têm efectivamente consequências enormes e muito gravosas, mas a que ninguém passa cartão. Exemplo: o fitóftora!
«O Diário do Alentejo dedica várias páginas que são um grito de chamada de atenção para um sacana dum fungo, o fitóftora, que está a destruir os montados alentejanos, essas terras de muita vida natural e de riqueza, nomeadamente para a extracção de cortiça ou a criação do porco alentejano.
«O fitóftora é um fungo que se manifesta há uns vinte ou trinta anos, se instalou nos solos e corrói a vida das árvores existentes, nomeadamente dos sobreiros e azinheiras. Começam a amarelecer as folhas, vão caindo, os ramos secam e a árvore acaba por morrer. Há muitos concelhos alentejanos onde o fenómeno já é muito visível e já há quem estime a infecção em cerca de 30 por cento do nosso montado, que é o maior, note-se, existente no mundo.
«Os cientistas não conseguem identificar, com clareza, a natureza e comportamento do fitóftora, e muito menos encontraram remédio.
Enfim, é uma coisa terrível, uma praga ,aqui mesmo nos nossos olhos, na nossa vida. Mas vocês já ouviram alguma palavra sobre isto?
«Diário do Alentejo (2)
«Estava a olhar para a pompa e valor com que se apresentou o projecto do Aeroporto da Ota e a pensar como isso encobre, muitas vezes, um certo desprezo pelo real valor do que já temos e que nem sempre é convenientemente tratado e desenvolvido. Fica uma certa ideia de que as novas empreitadas excitam muito as mentes e as carteiras, mas o que já está feito fica destinado a um certo desprezo e desaproveitamento. Ora, os espanhóis (ainda andaremos muitos anos a usar este tipo de frases, a propósito de coisas nossas: "os espanhóis...") concederam o prémio internacional Puente de Alcántara para obras públicas, atribuído pela fundação San Benito de Alcántara, à nossa barragem de Alqueva, a maior albufeira da Europa, tão harmoniosamente integrada na paisagem envolvente, como uma contribuição de enormes potencialidades para a melhoria do Alentejo e de Portugal.
«Ora, sente-se que não se vê, por cá, tão grande orgulho com o que já temos, nem sequer a mesma pompa e valor mem promover e usufruir aquilo que já existe, articulando-o sempre com novas metas e reconhecendo o proveito das obras feitas.
«Sabeis o que as crianças fazem ao velho brinquedo, quando aparece um novo, não sabeis? -
DNA / 2 DE DEZEMBRO DE 2005»»
