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domingo, janeiro 15, 2006

CIRURGIA INÉDITA

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A jornalista Vera Moura conta a história no «Diário de Notícias», 9-1-2006. História inédita que, apesar da cirurgia, é um sinal de progresso humano. O ser humano progride apenas por tudo aquilo que fizer de bom aos seres sensíveis do universo. Obrigado a todos.

««Lisboa 09.01.06 - dn.sociedade

«A HISTÓRIA INÉDITA DO PARGO OPERADO EM ÁGUAS PROFUNDAS

por Vera Moura

«Operar um peixe não é tarefa fácil. E quando a cirurgia é realizada debaixo de água, a 20 metros de profundidade, pode até parecer impossível. Mas não é. Que o digam os investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, que conseguiu realizar, com sucesso, a primeira operação subaquática a um peixe, uma experiência inédita em Portugal e mesmo na Europa - a técnica só está divulgada nos EUA.

«Uma equipa de três biólogos açorianos, Pedro Afonso, Jorge Fontes e Rui Guedes, introduziu em apenas nove minutos um transmissor acústico (de três centímetros de comprimento e um de espessura) no corpo de um pargo, em águas a 16º C. O transmissor, o primeiro de uma série de seis operações previstas, permitirá detectar os movimentos do pargo e perceber um pouco melhor o comportamento dessa, e, no futuro, de outras espécies de profundidade essenciais para a pesca açoriana.

"Queremos analisar o comportamento natural dos peixes e a forma como cada espécie gere o seu habitat, alimentação ou reprodução", explicou Pedro Afonso, um dos "cirurgiões" do pargo açoriano.

«A operação foi realizada no âmbito de projectos apoiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelo fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), em que o DOP está envolvido.

«Como um ser humano

«Operar um pargo implica procedimentos muito próximos dos que se realizam num ser humano. Por partes em vez de ser anestesiado, o peixe é colocado de barriga para o ar, já que nessa posição fica como que adormecido. É-lhe, então, posta uma mangueira na boca com água corrente, faz-se a incisão com o bisturi, coloca-se o transmissor, cose-se o peixe e aplica-se um antibiótico em pasta para evitar infecções.

«O peixe foi marcado, para que alguma embarcação que o pesque possa devolvê-lo ao DOP.

"A técnica clássica consiste em trazer o peixe para cima, operá-lo, e voltar a pô-lo lá em baixo", explica Pedro Afonso. "O que pretendemos é evitar problemas de descompressão, que, quando não mata, altera completamente o comportamento normal do peixe." Ou seja, a operação em águas profundas é uma forma de evitar lesões, ou mesmo a morte de certos peixes. É que quando a profundidade é superior a 20 metros, os animais sofrem uma expansão do ar que, interiormente, os corpos não conseguem suportar.

«A recuperação do paciente foi imediata "Começou logo a fazer cardume com outros peixes e, passadas algumas horas, comeu. Os peixes operados à superfície arrastavam-se, flutuavam apáticos ou nadavam de um lado para o outro sem parar, num comportamento completamente atípico", conta o biólogo. »»

CEM ANOS-LUZ

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Os anos-luz de distância maravilham-me. E a descoberta de planetas além do sistema solar, também. Todo o macrocosmos se relaciona com o microcosmos e quando a ciência, em vez de vírus (inventados) descobre estrelas, agradeço. A todos obrigado e a quem escreveu a notícia e se esconde nas iniciais F.N. (Filomena Naves?).

««13.01.06 - dn.sociedade

«NOVO PLANETA EXTRA-SOLAR DESCOBERTO A CEM ANOS-LUZ DA TERRA

«Foi identificado um novo planeta situado na constelação de Virgem, a cem anos-luz da Terra, graças a um pequeno telescópio chamado ET (Exoplanet Tracker), cuja missão é exactamente essa detectar exoplanetas. A descoberta do novo objecto, anunciada no congresso da Sociedade Americana de Astronomia, a decorrer em Washington, eleva para mais de 160 o número destes corpos planetários extra-solares actualmente conhecidos.

«Iniciada há 11 anos, a aventura da identificação de planetas fora do sistema solar conheceu uma evolução muito rápida e, nesta altura , além do ET, a comunidade internacional de astrofísicos dispõe também de outro observatório espacial exclusivamente dedicado a essa tarefa, o MOST, um satélite canadiano.

«O MOST está, justamente, a analisar o planeta agora descoberto, que orbita a estrela HD 209458, observando minuto a minuto as mudanças na luz que ela emite, explicou Jaymie Matthews, da Universidade de British Columbia (Canadá), na sua comunicação ao congresso.

«Foi o grupo do astrofísico Michel Mayor, do Observatório de Genebra, na Suíça, que descobriu, em 1995, o primeiro destes distantes objectos, utilizando um método de verificação indirecta chamado velocidade radial. Uma vez que os planetas influenciam com as suas órbitas a velocidade das estrelas em torno das quais gravitam, os astrofísicos conseguem perceber, medindo essas variações, se junto a uma determinada estrela há um ou mais planetas.

«Este já não é, no entanto, o único método para detectar planetas em sistemas solares distantes. Um outro, designado por trânsito, também indirecto, "vê" aqueles corpos celestes medindo a diminuição da luz que a sua passagem provoca em frente das respectivas estrelas.

«Só no ano passado se obteve a primeira observação directa de um destes planetas, cuja luz, na banda dos infravermelhos, foi pela primeira vez fotografada.

«Até agora, todos os planetas extra-solares descobertos são gigantes gasosos, semelhantes a Júpiter, longe, portanto, de serem mundos semelhantes à Terra. Mais uma vez, só no ano passado, os astrónomos identificaram um possível candidato a planeta rochoso a muitos anos-luz daqui. Mas falta ainda confirmar essa natureza. Uma coisa é certa, a corrida está em velocidade de cruzeiro e há novos observatórios espaciais na calha para entrar nela, o que faz prever muitas novidades nesta área da investigação em astronomia nos próximos anos. - F. N. »»