ÁGUIA BONELLI
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Os ambientalistas e outros especialistas que se pronunciem sobre o bom e o mau do projecto anunciado para a Mata de Sesimbra. Perguntem à água Bonelli a ver o que ela diz. Retirei a notícia do «Setúbal na Rede», elaborada pela jornalista Natália Abreu.
««MATA DE SESIMBRA TEM PROJECTO TURÍSTICO
«24-03-2006 18:27, in «setúbal na rede», por Natália Abreu
“O projecto da Mata de Sesimbra é eminentemente turístico, não é um empreendimento imobiliário nem queremos que ali nasça uma cidade sustentável”. As palavras são de Augusto Pólvora, presidente da câmara de Sesimbra, que quer assim pôr termo às muitas questões levantadas em torno do projecto, nomeadamente no que se refere à hipótese do empreendimento vir a tornar-se em mais um espaço privilegiado para a especulação imobiliária. O presidente acredita também que em 2007 “as obras no terreno começarão”.
O autarca assume que se trata de “um projecto turístico de dimensão relevante”, mas garante que o número de camas que comportará “não é nada de extraordinário se se tiver em conta o que poderia comportar”. Defensor deste projecto, Augusto Pólvora, considera que o concelho de Sesimbra “vai beneficiar” com as mais valias que o mesmo trará.
O plano comporta também um processo de recuperação da mata, que será feito em três fases e prevê que a actual vegetação existente (pinhal bravo e eucaliptal) seja substituída gradualmente por pinhal manso e sobreiral. Desta forma recrear-se-á a floresta indígena nativa, capaz de gerar habitats seguros para aves vulneráveis, como é o exemplo da águia do Bonelli. A recreação da floresta será, segundo os seus promotores, “um dos maiores projectos de reflorestação da Europa financiados exclusivamente pelo sector privado”.
O concelho de Sesimbra receberá ainda, por via deste investimento, fortes intervenções na rede viária, já que, para o plano de acessibilidades ao município, os promotores do projecto prevêem gastar cerca de 92 milhões e meio de euros. Quanto aos custos de intervenção na floresta e na conservação da natureza, serão na ordem dos vinte milhões de euros.
O concelho beneficiará ainda da criação de 2.800 postos de trabalho directos, dos quais 15 por cento serão ocupados por residentes em Sesimbra, uma das contrapartidas expressas no contrato. De forma indirecta serão criados mais de oito mil postos de trabalho. Definido está também que os produtores locais deverão abastecer no futuro pelo menos metade dos serviços do empreendimento.
O projecto prevê a criação de quatro estabelecimentos hoteleiros e onze aldeamentos turísticos, distribuídos por 700 hectares e com um investimento superior a 750 milhões de euros. Há ainda toda uma série de equipamentos públicos para os quais está reservada uma área de 40 hectares e onde ficarão instalados três campos de golfe, escolas de desporto, espaços destinados à cultura e ao comércio, uma clínica e espaços de culto religioso. Os empreendimentos irão servir aproximadamente 25 mil utentes.
A área ocupada com empreendimentos e equipamentos rondará assim os 15 por cento do total da área de intervenção do plano de pormenor, superior a cinco mil hectares, ficando os restantes 85 por cento para ocupação florestal e agrícola.
O “Plano de Pormenor da zona Sul da Mata de Sesimbra” está em discussão pública desde o passado dia 13 deste mês e vai decorrer até ao próximo dia 24 de Abril. É durante esse período que todos os interessados deverão apresentar as observações, sugestões e reclamações que entenderem pertinentes.
Augusto Pólvora acredita que no prazo de um mês será feito o tratamento das questões e participações e que, “no Verão, a proposta final deverá estar pronta para ser remetida à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)”. Depois de analisada pela CCDR, a proposta deverá ser enviada novamente para o município, de modo a ser discutida e aprovada pela Assembleia Municipal, seguindo posteriormente para o Conselho de Ministros. Se todos os prazos forem cumpridos, Augusto Pólvora admite que “em 2007 já vai ser possível verificarem-se obras no terreno.” Depois disso são necessários dez a quinze anos para que o projecto esteja em funcionamento pleno.
Natália Abreu - 24-03-2006 18:27»»
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