FRANCELMO PELO PANTANAL
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O HERÓI DO PANTANAL
Não fora o jornal «Destak» (21 de Novembro de 2005) e Margarida Caetano que escreveu a notícia, não teríamos aqui, no rectângulo, conhecimento de Francelmo, o herói do Pantanal. A informação seleccionada pelos jornais e telejornais, de facto, começa a ser um bocado patética, por falta de espaço: é todo pouco para viroses e presidenciais. Ainda bem. Boa sorte para todos.
««IMOLADO PELO FOGO LEVA BRASILEIROS À RUA
Por Margarida Caetano mcaetano@destak.pt
A missa de 7 ° dia do ambientalista que se imolou pelo fogo em defesa do Pantanal mobilizou uma das maiores manifestações de sempre em prol do ambiente.
Protesto extremo traz populares à rua
As manifestações ocorreram nas catedrais de diversos estados brasileiros, durante a missa de 7 ° dia do ambientalista Francisco Anselmo de Barros (Francelmo), que se imolou pelo fogo, na cidade de Campo Alegre, durante um protesto contra a instalação de fábricas de álcool e açúcar, em 30 municípios da bacia do rio Paraguai, na região do Pantanal.
O caso comoveu a opinião pública e reacendeu a discussão em torno da proposta apresentada pelo governo do Estado do Mato Grosso do Sul (MS) à Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa. População e ambientalistas opõem-se por considerar que as fábricas irão poluir o aquífero guarani, o segundo maior reservatório de água potável do mundo.
O governo de MS afirma que existe tecnologia para evitar a poluição. «Sabemos que existe risco sim», contesta Alessandro Menezes, um dos coordenadores do Fórum de Defesa do Pantanal. Iracema Sampaio de Barros, viúva do ambientalista, confirmou ao «Destak» que, em telefonema, Marina da Silva, ministra do Meio Ambiente lhe garantiu que o projecto é inconstitucional e que não vingará.
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IMOLADO PELO FOGO
Segundo testemunhas, eram 11h40 quando, no passado dia 12, Francelmo (65 anos) se dirigiu a uma Kombi, estacionada na Rua Barão do Rio Branco, no centro de Campo Grande, de onde tirou dois colchões que colocou em forma de cruz, despejou gasolina sobre eles, sentou-se e ateou fogo ao próprio corpo.
«Ninguém fez nada para impedi-lo porque achamos que a encenação era parte do protesto» conta ao «Destak» Ivaner Fernandes. «No meio daquele fogaréu, vimos uma tocha humana que paralisou todo o mundo».
«Foi um desespero: a chama era tão grande que não foi possível tirá-lo», relata a empresária Marisa Valente.
«As pessoas correram com água e cobertores quando perceberam, mas não havia nada a fazer», explica o comerciante Vladimir Gomes, que ajudou a apagar as chamas. Francelmo é a primeira pessoa na história do Estado a tentar o suicídio em defesa de uma causa.»»
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«A POLÉMICA
«A PROPOSTA CONTRARIA A RESOLUÇÃO 00l/85 DO CONSELHO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE (CONAMA), QUE SUSPENDE A CONCESSÃO DE LICENÇAS AMBIENTAIS PARA FÁBRICAS NAS BACIAS HIDROGRÁFICAS SOB INFLUÊNCIA DO PANTANAL, FERINDO A LEI NACIONAL N.°9433/97, QUE ESTABELECE DIRECTRIZES PARA A GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS NO BRSIL.»
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«Francelmo está vivo em mim. Vou continuar a sua luta de trinta anos.»
IRACEMA Barros, Viúva de Francelm

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