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sábado, novembro 12, 2005

ANTOLOGIA DA ALMA PORTUGUESA

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O GRANDE OCIDENTE LUSITANO

Agradeço ao Carlos Oliveira Santos saber fazer das pequenas coisas, grandes e boas notícias.
É a secção da revista DNA do «Diário de Notícias», às sextas-feiras, «O Grande Ocidente Lusitano-Leituras da imprensa regional por Carlos Oliveira Santos».
Permito-me transcrever o texto publicado no dia 11 de Novembro de 2005 já que, todo ele, vem confirmar a minha opinião de há muito tempo: é o que de melhor os nossos jornais publicam por aqui.
Terei que digitalizar todos os textos que o DN não tem a gentileza de pôr On line. Obrigado a todos mas em especial ao Carlos Oliveira Santos que todas as semanas descobre, ali, a alma profunda deste adorado país de coisas belas e preciosas.
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««Jornal do Centro
Semanário de Viseu

O Sérgio é o único aluno do primeiro ano do Instituto Superior de Teologia de Viseu. O vulgo seminário virou Instituto Superior e instala-se num edifício todo ele recuperado, qualquer coisa como um milhão de contos de obras, muito "inteligente", cheio de fechaduras electrónicas, sensores de movimento, alarmes e sistemas de detecção.
Mas só tem um único novo aluno.
O Sérgio tem 18 anos a acha que está onde quer estar. Mesmo que sozinho.
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«O Valenciano»
Bimensário regional

Quem também se está escoando pelo gargalo da História, é o famoso gado barrosão, lá de Trás-os-Montes. É certo que há para aí muita ementa a apregoá-lo, em pratos de grossa posta de carne. Mas a verdade é que a maior parte disso é mistificação.
O barrosão tinha a sua virtude no uso que se lhe dava no trabalho dos campos, adubados com o seu estrume, cama de rico pasto que, por sua vez, lhe alimentava as carnes e o estilo. Mas trabalho nos campos é coisa que ele já não faz e os terrenos adubam-se agora com químicos de ocasião.
As idas e vindas pelas encostas e caminhos tortuosos, que lhe estribavam os músculos e davam pleno sentido aos longas cornos torneados, são hoje para tractores e motores vários. O barrosão já não tem função nem lugar num mundo que o quer comer mas que não o quer para trabalhar. Pelo que, qual reformado sem acção, as carnes lhe irão mirrando e o espírito morrendo.
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«O Mirante»
Semanário ribatejano

Também o propósito de levar, em Portugal, uma vida legal, dentro das regras a deveres, é cada vez mais um desespero. Na Chamusca, fez-se um mercado com pesados dinheiros e boas condições, pronto para os comerciantes ali se instalarem e fazerem a sua vida. Pois quem assim o fez, desespera.
Em redor do mercado, por tudo o que é rua e buraco, pululam os vendedores clandestinos, o mercado negro que tudo vende e onde se prantam as clientes para uma poupançazinha em preço e o exercício do doce gosto da balda e do improviso.
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«O Despertar»
Semanário de Coimbra

É surpreendente e parece mentira: para o ano, poderão caçar-se veados, na Serra da Lousã! Foi tão cuidada a intensa a protecção aos ditos, nesta região, que o problema, agora, é que eles proliferam em demasia.
Plantações, pomares e vinhas, viram-se invadidos pelos saltitantes cornudos. De modo que a solução é autorizar, já para o ano, a caça aos veados. Os humanos do tiro lambem os beiços e preparam-se para o festim. Fala-se em controlo apertado, em regras rígidas, mas o certo é que em breve se necessitará de mais uma campanha de protecção.
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«Primeira Linha»
Semanário regional

Em Mação, quem invade são os escaravelhos. A curiosidade humana não tem limites. A exposição que os exibe tem sido um êxito. Os feios e patudos bicharocos nunca tiveram tanto orgulho. Os cientistas dizem mesmo que estes pernudos são uma janela para o conhecimento da Terra. Está até final de Dezembro, no Museu de Arte Pre-histórica e do Sagrado no Vale do Tejo.
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«Correio de Azemeis»
Semanário do distrito de Aveiro

A verdade é que enquanto não sabemos, temos de estudar. Tudo.
Em Cesar, há uma senhora que com o seu filho promove cursos de culinária para jovens e adolescentes. D. Maria Luísa Queiroz e o filho Renato vivem encantados a transmitir à moçada a arte das sopas às sobremesas. A adesão é grande e o gosto é muito. A iniciativa é excelente e devia divulgar-se por esse país fora. Saber cozinhar é dos melhores instrumentos de independência e de labor.
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«Notícias de Vila Real» (1)
Semanario transmontano

Na Universidade de Trás-os-Montes está a estudar-se um programa para despertar para a ciência no jardim-de-infância e na escola primária. É isso! Não vale a pena pregarmos contra a ignorância científica nacional sem descobrirmos formas de conquistar os jovens corações para coisas como esta: porque flutuam as maçãs e as batatas não?
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Notícias de Vila Real (2)
Mas há mais: a mesma universidade fez um colóquio luso-galaico sobre Macromicologia. Quer isto dizer que o assunto é uma das nossas maiores riquezas silvestres: os cogumelos. Por entre muita "macromiceta parasita e patogénica", desvendam-se os mistérios e virtudes da selvagem liberdade que faz dum esquisito fungo mais do que motivo para os humanos apurarem o seu engenho e gosto, calcorreando florestas e caminhos em busca de algo que tem honras de Macromicologia. Abençoado mundo!
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