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quinta-feira, fevereiro 23, 2006

FUNERAL BUDISTA

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Agradeço à jornalista Céu Neves a notícia publicada no «Diário de Notícias» sobre o primeiro funeral budista em Portugal. Como não estava on line, aqui a digitalizo e republico. Obrigado a todos.

««Cerimónia / 0 lama Khetzun Gyaltzen "encomenda a alma" à criação, iniciando o ritual da passagem para uma outra vida

««PRIMEIRO FUNERAL BUDISTA NO RIO TEJO

Por Céu Neves

20-2-2006

«O rio Tejo, em Lisboa, recebeu ontem as cinzas da dona Quitéria, naquela que foi a primeira cerimónia fúnebre budista realizada em Portugal. A 300 metros do cais, sem lágrimas, com pétalas de rosas, velas e incenso, a leitura da Libertação de Bardo marcou a passagem entre a morte e o renascimento.
«Morreu, ou melhor "desencarnou" como dizem os budistas, no dia 25 de Janeiro. Tinha 87 anos, os últimos 18 meses vividos em sofrimento. Também por isso, a morte é entendida como um momento de "libertação" e de "felicidade", explica o lama português Khetzun Gyaltzen (Carlos Amaral).
«Há 20 anos que a dona Quitéria praticava o budismo, juntamente com a filha Anabela Almeida, funcionária pública. "A mãe quis ser cremada e manifestou o desejo de que o funeral fosse no ritual budista", explica Anabela, de quem Carlos Amaral é médico (medicina oriental) e mentor.

Ritual

«O ritual fúnebre budista começa com a "encomenda da alma à criação", ainda no cais da Rocha Conde de Óbidos. A urna com cinzas está envolta num pano amarelo, cor que significa o sol, iluminação. É uma das cores que veste o lama Gyaltzen, ao lado do bordeaux, o tom do desprendimento. Este está em jejum e tem o kaapa (chapéu) na cabeça que distingue o mestre. Os familiares têm um kaata (lenço) com os símbolos do lamismo.
Escolhido o local no rio para depositar os restos mortais, o lama lê a Libertação do Bardo; numa versão reduzida e repetida por todos. É a explicação de como os "elementos" de Quitéria são devolvidos à natureza, de onde partiram, para ressuscitar num corpo humano ou não. Reza-se para cortar os elos que ainda prendem a vida à terra.
As cinzas "expandem-se" nas águas, o "elemento ideal e que representa a vastidão", explica o lama. É depositada uma coroa de flores, com quatro velas, e onde se deitam os restos de cinza. Colocam-se depois nove paus de incenso que significam a humanidade e purificam o local. E largam-se as pétalas de rosa, em sinal de continuidade. »»
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