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quinta-feira, fevereiro 09, 2006

NOVÍSSIMA GUINÉ

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Agradeço à jornalista Filomena Naves, sempre atenta às notícias do maravilhoso, o belíssimo artigo que publicou no «Diário de Notícias», em 8 de Fevereiro de 2006, sobre «dezenas de novas espécies descobertas na Nova Guiné». Naquele extremo oriente, não há apenas tsunamis provocados por rebentamentos subterrâneos de bombas termonucleares. Obrigado a todos os que dão as verdadeiras notícias.

««08.02.06

««DEZENAS DE NOVAS ESPÉCIES DESCOBERTAS NA NOVA GUINÉ

Por Rita Carvalho

«Uma expedição realizada em Dezembro por uma equipa científica internacional às montanhas Foja, na zona ocidental da Nova Guiné, na província indonésia de Irian Jaya, onde está localizada uma das mais isoladas e inacessíveis florestas virgens asiáticas, conseguiu em apenas um mês descobrir dezenas de novas espécies até agora desconhecidas.

«Soube-se ontem que na brumosa e, aparentemente, intocada floresta daquela região do planeta existe uma verdadeira colecção de novos mamíferos, borboletas, anfíbios, aves e plantas que já podem agora juntar-se ao catálogo das espécies conhecidas.

«É a descoberta surpreendente de uma espécie de mundo perdido, que evoca, pela dimensão da novidade, os achados dos exploradores europeus do final do século XIX, e princípio do século XX, no continente africano. E que lembra também o mito dos mundos perdidos que o dinâmico mundo do cinema tem regularmente utilizado como filão (ver caixa na página seguinte).

«O local, visitado no final do ano passado pelos cientistas, "é o mais parecido com o Jardim do Paraíso que alguma vez encontraremos sobre a Terra", garantiu entusiasmado à imprensa internacional Bruce Beehler, da Conservation International, e um dos líderes desta expedição científica.
Promovida por aquela organização internacional e pelo Instituto Indonésio para a Ciência, e financiada por várias entidades científicas, incluindo a National Geographic Society, a expedição parece ter sido bafejada pela sorte - ou pelos deuses.

«Em apenas um mês, a equipa, que incluiu investigadores indonésios, australianos e dos Estados Unidos, descobriu 20 novas espécies de rãs, quatro de borboletas e dezenas de plantas nunca vistas (incluindo cinco árvores com folha de palma e rododendros cujas flores batem recordes mundiais em tamanho). E não é tudo. Há ainda os pássaros.

"A primeira ave que vimos no nosso acampamento era de uma nova espécie e logo no dia a seguir vimos uma outra, uma ave do paraíso, de uma espécie descrita pela primeira vez no final do século XIX, mas que nunca mais tinha sido avistada", contou Beehler à BBC News online.

"É um paraíso de biodiversidade", resumiu o investigador da Conservation International.

«Os cientistas da equipa estão nesta altura a preparar artigos para publicar em revistas científicas da especialidade. Essa é também uma condição para a inscrição das novas espécies na literatura internacional da especialidade.

«Por outro lado, e apesar de Beehler ser perito em ornitologia, é necessária ainda a confirmação de que o novo pássaro detectado nas montanhas Foja, na Nova Guiné, é realmente uma nova espécie.

«A ave (na foto do meio, em cima), tem marcas amarelas na cabeça, junto aos olhos, e é um honeyeater (papa mel em tradução livre).

«Se se confirmar que é uma nova espécie, será a descoberta de um novo pássaro em 60 anos naquela ilha, já que a última tinha sido ali identificada em 1939. E a ser assim, Beehler pretende baptizá-la com o nome da mulher, como explicou ao New York Times.

«O outro pássaro com história nesta expedição é uma ave-do-paraíso, Parotia berlepschi de seu nome científico, que agora foi redescoberto para os olhos humanos.

«Descrita pela primeira vez no final do século XIX, a partir de espécimens capturados por caçadores indígenas numa zona nunca especificada da Nova Guiné, esta ave estava de certa maneira envolta num mistério. Sucessivas expedições para encontrá-la nunca obtiveram qualquer êxito e, na verdade, desconhecia-se de onde era exactamente originário. Ao segundo dia desta expedição, a equipa observou com surpresa um macho daquela espécie fazer uma dança de acasalamento para a fêmea que andava por perto.

"Redescobrir esta ave que estava perdida foi para mim uma coisa extraordinária", confessou Beehler à BBC News online.»»
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