SIMPSON É NOTÍCIA
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16 de Novembro de 2005
TER OU NÃO TER O VÍRUS
Se não fosse o interesse no Observatório da Medicina do Ambio Archives talvez eu não me desse ao trabalho de coligir recentes notícias que, me parece, são um modelo de sofística médica, um dos pilares dos muitos em que o poder médico assenta.
Para só citar a notícia mais recente, que alguém me fez notar porque «ouvira na SIC», sublinho o caso do jovem escocês Andrew Simson (os jornais portugueses gralharam para Stimpson) que, aos 25 anos, diz ter-se livrado do vírus. Sem medicamentos, o que o torna altamente suspeito de fraude !
Como isto contraria o costumado e pirrónico niilismo da medicina – o seropositivo tem que morrer! – logo se levantaram vozes de dúvida, protesto e espantação.
Mas a sofística médica tem pouco para onde se virar e quando quer falar em linguagem de (toda a) gente, só pode recorrer aos sofismas do costume:
É preciso mais análises, é preciso esperar, é preciso ...
1 – Antes de mais nada, foi uma notícia de jornal (dois classificados de tabloides – News of the World e Mail on Sunday - , outro que também será, a partir de agora, Evening Times e os jornais, quando não fazem eco dos senhores cientistas, são sempre duvidosos. Só querem o escândalo: o «Diário de Notícias», por exemplo, como não quer escândalos e tem quem faça o serviço tabloide, não publicou.
2 – Depois, como disse logo um especialista ao jornal «Público» - 15 de Novembro de 2005 : «Se este caso fosse uma cura surpreendente, já teria sido publicado numa revista científica» - defende Ricardo Camacho, responsável do Laboratório de Virologia do Hospital Egas Moniz , em Lisboa.
3 – Depois, a sofística médica tem ainda outras armas: afinal o leigo não sabe mas eles sabem que «existem vários (!!!) testes para saber se uma pessoa está infectada com o HIV»: «Por vezes acontece - diz o virologista – que esse teste seja positivo sem que a pessoa seja infectada. Isso é um falso positivo.»
4 – Depois e como se fosse pouco – haver ou não haver vírus, oh hamlet das dúzias ! – pode acontecer o contrário: o teste aos anticorpos pode dar negativo, estando a pessoa infectada
Moralidade da fábula: nunca fiando, portanto...
5 – Com estas probabilidades 3 e 4 , podemos avaliar o grau de fiabilidade das análises e da confiança no sistema que podem ter os que são diagnosticados seropositivos.
6 – Qualquer um que não seja virologista, especialista, analista, crack, mas tiver uma cabeça e algum bom senso, deduzirá daqui que terá havido centenas de diagnosticados com o vírus sem o terem – e outras tantas centenas (milhões?) com ele sem ter sido diagnosticado.
Se isto não é brincar com o pagode, vou ali e já volto.
7 – Finalmente e para terminar em beleza, os cientistas Ricardo Camacho ( do Hospital Egas Moniz) e Ana Espada, querem mais testes ao Simpson: «é muito cedo para falar de cura e terão de ser feitos testes minuciosos para saber mais sobre o que se terá passado.»
Ou seja: «São necessários testes muito sensíveis, que consigam detectar cargas virais muito baixas. E devem ser repetidos várias vezes» - proclama Ana Espada.« Sem isso, esta caso não passa de uma notícia do «News of the World.»
8 – Aí está: remete-se a bola para os jornais, que devem ser tabloides e que exploram o sensacionalismo de um seropositivo «curado».
Ou seja: quem quer que saia (ou queira sair) do niilismo médico, não merece o mínimo de crédito. Quanto ao jovem Simpson, de 25 anos, ou nunca foi seropositivo (só o rotularam disso) ou ainda terá de percorrer a via sacra de trinta análises para que se posso confirmar o «milagre».
A sofística médica não dorme e não admite que o organismo de alguém , mesmo imunoinsuficiente, seja mais inteligente do que eles. E que se autocure de uma coisa que foram eles a rotular de imunodeficiência adquirida (vulgo sida).
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Mais sintética mas talvez, por isso mesmo, mais esclarecedora do essencial, transcrevo a notícia do jornal «Metro», 15 de Novembro de 2005
««SEROPOSITIVO ELIMINA HIV SEM AJUDA DE FÁRMACOS
Caso pode ajudar na procura da cura da sida
Seropositivo elimina HIV sem ajuda de fármacos
Médicos querem estudar o caso de britânico de 25 anos, portador do HIV e que se livrou do vírus da sida.
O britânico Andrew Simpson, de Londres, Reino Unido, foi diagnosticado como seropositivo, em 2002, mas novos exames, realizados em Outubro de 2003, não confirmaram a presença do vírus, noticiaram dois semanários do país, "News of the World" e "Mail on Sunday".
Simpson não tomou nenhum medicamento e curou-se. Os cientistas acreditam que perceber o que organismo conseguiu fazer sozinho pode dar pistas para encontrar um tratamento eficaz.
Milagre ou um erro?
Quando os médicos sugeriram repetir os testes, para tentarem descobrir uma explicação para os resultados diferentes, o paciente recusou. Segundo a imprensa britânica, quer pedir uma indemnização por falso diagnóstico. No entanto, os médicos do Hospital Chelsea e Westminster afirmam que
os primeiros testes realmente detectaram uma infecção do HIV.
"Há 34,9 milhões de pessoas com HIV no mundo e sou apenas uma pessoa que conseguiu controlá-lo, sobreviver e eliminá-lo", disse Simpson. Os cientistas pretendem descobrir se Simpson consegiu eliminar o vírus sozinho ou se realmente se tratou de um diagnóstico errado. - METRO
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