JORNAIS DE AVIÁRIO
Do meu heterónimo Afonso Cautela transcrevo neste blog – Artigot News – a carta que o «Diário de Notícias» não publicou, provavelmente porque ia mal redigida, era extensa demais ou não (des)agradou ao Provedor do Leitor. Porque lá provedor têm todos os chamados jornais de referência. Para vigiar o discurso da ideologia dominante. Tal como dantes, tal como sempre. Que lhes faça bom proveito e até à vista.
aves-1-ol
RIDÍCULO MATA MAIS DO QUE AS AVES
«Se o ridículo matasse, certamente que a hecatombe seria muito maior entre os que inventaram a campanha (da gripe) aviária do que a (im)propriamente dita pandemia.
«Imagens meticulosamente veiculadas pelas prestimosas televisões – em viagem pelos aviários dos arrabaldes – vieram apenas expor às multidões a abjecção dos (mal) ditos aviários e o sofrimento indescritível a que as aves são submetidas para lucro dos guardiões da sanidade, do negócio e da vida de todos os seres sensíveis.
«Se de facto as aves começassem a matar gente não fariam mais nem menos do que justiça, mais nem menos do que os humanos (?) têm vindo a fazer com a exploração dos animais para negócio.
«Com as vacas foi a mesma cena: tanto condicionaram a produção em bateria que, à custa de doses industriais de antibióticos, nas rações acabaram por produzir um vírus devidamente identificado pelos atentos cientistas (de aviário) e a respectiva patologia espongiforme ou lá o que era.
«Não havia vacinas nem vai haver para a «gripe» em curso. Mas os esforços para a encontrar (e respectiva fonte de lucrativo rendimento ) terão de continuar.
«Desde o fracasso, nos anos 70 e 80, em que não conseguiram provar laboratorialmente que o cancro era de origem viral e, portanto, sem vacina à vista, temos assistido a várias tentativas de reanimar o negócio.
«Para o (negócio) da sida também o vírus vinha do macaco resus, lembram-se? Mas também até hoje não foi produzida vacina: para se desculparem do fiasco, os cientistas falam então de vírus mutante: claro, muta conforme a genética de cada bicho!
«Não esquecer outra classe de animais sacrificados à engrenagem do lucro: os porcos criados em pocilgas e engordados na base de rações com hormonas e antibióticos; são verdadeiros zombies e abatidos logo que atingem o peso previsto. Morrem já mortos.
«Mas isto é uma história mais comprida e hoje temos de nos concentrar nos outros campos de concentração chamados aviários.
«Uma coisa muito simples há que dizer desde já: vírus é efeito e não causa. Pelo que toda a retórica gerada à volta da teoria do vírus como causa está invertida e, necessariamente, pervertida.
«Insiste-se na teoria falsa porque com a teoria do vírus vamos ter regularmente novas campanhas aviárias e nem só.
«Há uns anos, cientistas do contra – entre os quais Jean Rostand - vieram com uma ideia sobre a natureza do vírus que fazia muito sentido mas não incitava à multiplicação do lucro e do negócio. O vírus, segundo ele, não era causa da patologia (neste caso vertente a «gripe das aves») mas subproduto de um terreno orgânico que, por insuficiência imunitária, (nos seres vivos em geral, humanos e não humanos) acaba por adoecer, criando então, como subproduto, o chamado vírus que os cientistas do pró depois analisam à lupa e dissecam graças ao microscópio electrónico ... Visto por aí, o famoso vírus seria apenas um «gene degenerado», disse Rostand!!!
«Como esta tese (hipótese de trabalho, diria o António Sérgio) não animava a indústria da doença (a que os media e os políticos chamam saúde!!!), imediatamente foi banida e posta na gaveta fechada à chave, com os cientistas lá dentro. E já que o vírus como causa é que está a dar, pois temos que o «combater» com armas e bagagens.
«A OMS já foi uma organização respeitável: curiosamente, nos tempos da guerra fria. Neste momento limita-se a gerir as campanhas de aterrorização em massa da humanidade.
«Desta vez conseguiram cair no ridículo todos os que – media, jornais, telejornais – não têm outro remédio senão entrar na histeria do medo aviário (pré-fabricado).
«Graças a Deus que os anónimos ouvidos pelos telejornais vão encolhendo os ombros, pois histórias da Carochinha já não impressionam o bom povo que não distingue autarcas mas distingue o verdadeiro perigo das ameaças pindéricas.
«Mesmo entre os intelectuais ideologicamente correctos parece que desta vez também não estão dispostos a embarcar no boato: assinalo três bons exemplos (e deliciosos de estilo!) de artigos publicados na imprensa corrente.
«Há muito tempo que não me ria de gosto como com esses três fabulosos artigos, e sem eles jamais me teria atrevido a comentar o assunto. Mas com estes antecedentes de peso, já me sinto mais acompanhado:
«O Pânico das Galinhas», de José Júdice, in jornal «Metro», de 20 de Outubro de 2005
«Gripe das Aves no Hipermercado», de Sónia Morais Santos, in «Diário de Notícias», suplemento de 21 de Outubro de 2005
«O Código Patola», de Miguel Gaspar, in «Diário de Notícias», 26 de Outubro de 2005
Marcelo Rebelo de Sousa, na RTP 1, insiste pela segunda vez: nada de panicar, afirmou ele.
«Claro que os medicamentos faltaram logo nas farmácias: o poviléu correu, correu, tropeçou mas não havia. A escassez também faz parte do sindroma do medo.
«É tão bom sentirmo-nos prevenidos contra males imaginários enquanto aumentam os impostos e nos dão pontapés nas canelas!
«Uma humanidade agachada de medo é, afinal, muito mais fácil de aceitar os salvadores do mundo.
«Se a OMS se lembrasse de promover uma campanha mundial para incentivar a imunidade natural dos seres sensíveis (humanos e não humanos), talvez a gente ficasse mais em paz.
«Com as campanhas aviárias só dá para rir e é pouco, muito pouco.
«Resumindo e concluindo:
Vírus é apenas um gene degenerado, efeito e não causa.
Ponto final, parágrafo.
Afonso Cautela
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«Post Scriptum: Já depois de escrita esta carta ao director do «Diário de Notícias», li na secção «Tribuna Livre» (26 de Outubro) do mesmo jornal, um texto assinado por Pedro Vieira, em que se incita à «eliminação de todos os pombos citadinos», mesmo que isso desagrade a «meia dúzia de ecologistas fundamentalistas». O dito texto intitulado «Os pombos» fala por si e pela categoria de quem o subscreve. Valha a coragem do sr. Pedro que escreve e subscreve aquilo que outros pensam mas não dizem. Agradeçam à OMS que armou a tenda para o circo prosseguir.»

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