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quinta-feira, junho 08, 2006

NOVA TABELA

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««HOJE APRESENTADO EM LISBOA
NOVA TABELA DA COMPOSIÇÃO DOS ALIMENTOS PARA AJUDAR A CONHECER HÁBITOS PORTUGUESES

29.05.2006 - 10h37

Por Carlos Pessoa, in jornal PÚBLICO

«Os alimentos foram distribuídos por 14 grupos, reunindo os produtos que têm uma natureza e composição semelhantes, tal como já acontece na nova Roda dos Alimentos


««Metam-se numa panela com água 42 gramas de couve-galega, 88 gramas de batata, 14 gramas de cebola, cinco gramas de chouriço de carne de porco magro, quatro de azeite e dois de sal. Leve-se ao lume para cozer, até ficar feito um caldo verde de 350 gramas pronto a comer.

Ao saborear um prato de sopa, o leitor está a consumir à volta de 200 gramas de caldo verde, que apreciará na medida directa do seu apetite. Mas se quiser ir mais longe do que a simples degustação pode ficar a saber que está a ingerir 84 quilocalorias, 3,4 gramas de gordura total, 2,4 gramas de proteína, 9,2 gramas de amido, 3,4 de ácidos gordos, dois miligramas de colesterol, 14 de vitamina C e quantidades variáveis de diversos minerais, como sódio, potássio, cálcio ou fósforo, entre muitos outros elementos constituintes.

A informação detalhada e rigorosa sobre a composição química deste e outros 961 alimentos crus, processados e cozinhados que são consumidos em Portugal (para um total de 42 nutrientes) pode ser encontrada na nova Tabela da Composição de Alimentos. Esse documento, editado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa), é apresentado esta tarde em Lisboa.

Os elementos constantes da tabela são o resultado de mais de 20 anos de trabalho de recolha e análise de amostras de alimentos, feito pelo Laboratório de Bromatologia e Nutrição (LBN) do Centro de Segurança Alimentar e Nutrição (CSAN), que funciona no Insa.

Para a maior parte dos alimentos foram analisadas no mínimo cinco amostras, pelos menos para alguns dos nutrientes - é o caso dos macroconstituintes. No caso português, mais de 40 por cento dos valores compilados resultaram de análises directas feitas pelo LBN. Mas como é impossível analisá-los todos, na ausência de dados sobre a composição de alimentos cozinhados, os técnicos fizeram o cálculo a partir dos constituintes dos alimentos crus. Quando estes últimos não existiam, procuraram noutras tabelas semelhantes ou em publicações científicas.

A terceira via foi recorrer aos dados disponíveis de alimentos mais próximos. Os alimentos foram distribuídos por 14 grupos, reunindo os produtos que têm uma natureza e composição semelhantes, tal como já acontece na nova Roda dos Alimentos. Na ausência de um Inquérito Alimentar Nacional, actualizado, que indicasse o que comem os portugueses, a selecção baseou-se na análise das frequências de consumo de alimentos realizada em dois estudos conduzidos pelo investigador Amorim Cruz em 1991 e 1998. Teve ainda em conta as refeições servidas a estudantes de escolas do concelho de Braga, nas cantinas de Coimbra e Lisboa e a trabalhadores da administração pública.

Mudanças em 20 anos

A ideia de criar uma nova tabela ganhou força quando se começou a falar na necessidade de realizar o segundo Inquérito Alimentar Nacional, actualmente em fase de preparação. "Os hábitos alimentares dos portugueses mudaram muito nos últimos anos e as metodologias analíticas também se alteraram; além disso foram criados novos alimentos", diz Maria Antónia Calhau, assessora do CSAN.

Por outro lado, a anterior tabela, que data de 1961, está completamente desactualizada (só contempla alimentos crus), não podendo ser usada como referência nacional para a composição dos alimentos consumidos pelos portugueses.

Ao longo dos anos, o que os técnicos têm vindo a fazer é "análises permanentes à composição dos alimentos", explica Luísa Oliveira, responsável do LBN e coordenadora da edição da tabela. "Os dados obtidos são introduzidos na base de dados que servirá para realizar o inquérito alimentar. O objectivo final é ter uma tabela representativa daquilo que a população portuguesa come". Esse retrato, porém, nunca estará acabado, pois surgem permanentemente novos alimentos e marcas no mercado. "A colaboração com a indústria é fundamental para fixar os alimentos existentes e saber quais as suas taxas de consumo e também os que saem do mercado", diz a directora do LBN.

A utilidade dos dados obtidos é múltipla. Aplicada aos hábitos alimentares de um cidadão, a tabela permite saber se ele está a ingerir as quantidades de proteínas, hidratos de carbono, vitaminas e minerais indispensáveis à manutenção de um bom estado nutricional, por exemplo. Por outro lado, os dados relativos à composição dos alimentos são fundamentais para desenvolver estudos epidemiológicos que relacionem, por exemplo, a alimentação com o estado de saúde das populações, ou para ajudar a definir as políticas alimentares do país.»»
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