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quinta-feira, junho 15, 2006

GALÁXIAS NO BINÓCULO

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««DESCOBERTO O MAIS DISTANTE ENXAME DE GALÁXIAS DO UNIVERSO

Por Filomena Naves
In diário de notícias, 6 de junho de 2006

Pedro Viana dedica-se desde 1999 à busca de enxames de galáxias. E, juntamente com a equipa internacional de que faz parte desde então, já descobriu algumas dezenas delas. Nenhuma, porém, como a última, que é a mais distante de todas até agora encontradas. Está a 10 mil milhões de anos-luz da Terra e é, por isso, a mais longínqua na história do universo. Uma raridade.

"Não dá um prémio Nobel , mas é um passo importante para a ciência", diz bem disposto o jovem investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP). A verdade é que este novo enxame de galáxias, que os investigadores baptizaram de XMMXCS 2215-1738, tem muito que contar. Desde logo, "é mais uma prova indirecta de que a expansão do universo está em aceleração", garante Pedro Viana.

Como o nome quase poético destes objectos indica, um enxame de galáxias é uma densa aglomeração de milhares de galáxias, que se movem em conjunto sob o efeito da atracção gravitacional mútua.

No final da década de 90, a equipa liderada por Kathy Romer, da Universidade de Sussex, na Inglaterra, e que integra outros astrofísicos britânicos e norte-americanos, além do investigador do Porto, lançou-se na tarefa de constituir o maior e mais completo catálogo destes aglomerados de galáxias.

Um inventário assim, muito para além de uma mera colecção de objectos do mesmo tipo, deverá tornar-se também num precioso roteiro através das diferentes idades e distâncias no universo, já que há enxames destes que surgiram mais precocemente e outros que são mais recentes. Definir essa cronologia, por assim dizer, é também escrever um pouco mais da história da universo e perceber melhor a sua evolução.

Para encontrar estes aglomerados, a equipa está a utilizar os dados do satélite científico europeu Newton (que faz observações e registos com raios-x). Este é um meio extremamente eficaz de encontrar aqueles objectos, já que eles são poderosos emissores daquela radiação.

"Neste momento temos milhares de fontes de raios-x já identificadas graças ao satélite e claro que nem todas são enxames de galáxias. É preciso estudar cada uma delas para verificar a sua natureza", explica o astrofísico português.

O XMMXCS 2215-1738, cuja descoberta foi divulgada ontem pela equipa no encontro da Sociedade Americana de Astronomia, a decorrer em Calgary, no Canadá, foi uma espécie de tiro na mouche. Não só é um destes objectos - que vem juntar-se aos que já estavam identificados, inclusive pelo grupo - como é o mais distante, no espaço e no tempo, jamais visto por olhos humanos.

"Esta enorme estrutura existe numa altura em que o universo possuía menos de um terço da sua idade actual, ou seja, uns meros 4,5 mil milhões de anos após o Big Bang", explicou Bob Nichol, da Universidade de Portsmouth, em Inglaterra, outro dos investigadores do grupo, no anúncio da descoberta.

Para Adam Stanford, investigador da Universidade da Califórnia e também membro da equipa, "a existência deste enorme enxame numa época tão inicial do universo é também um desafio para as teorias sobre o modo como se formam as maiores estruturas". Por isso, a par do trabalho de inventário, que continuará pelo menos até 2012, a equipa vai estudar este "decano" dos enxames de galáxias, para aprender tudo o que puder com ele. »»
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