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terça-feira, janeiro 24, 2006

MICROCRÉDITO

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Que o editor de um suplemento económico onde habitualmente impera o negativismo tenha considerado o microcrédito digno de atenção e de alguma esperança, é de assinalar e portanto aqui fica com o meu obrigado a todos.

««23.01.06 - dn.homepage » dn.economia

««UMA IDEIA SIMPLES

«Esta outra revolução começou ao mesmo tempo da nossa. Em meados da década de 70 a fome matava milhares de camponeses no Bangladesh. Um professor de Economia na Universidade de Chittagong, Muhamad Yunnus, decidiu fazer com os seus alunos um inquérito na aldeia adjacente ao campus universitário para apurar as causas dessa tragédia. Os resultados foram surpreendentes 42 mulheres, artesãs em bambu, fonte do sustento das suas famílias, estavam à beira do desfalecimento porque o produto do seu trabalho era quase totalmente consumido no pagamento de juros astronómicos, impostos pelos agiotas locais, para poderem comprar a matéria-prima dos seus produtos. A verba necessária para se libertarem desta morte lenta equivalia a 27 dólares!

«Deste pequeno empréstimo veio a nascer o primeiro banco de microcrédito do mundo, o Grameen Bank (Banco Rural), que se espalha hoje por mais de 1300 sucursais, servindo 3,7 milhões de famílias pobres em 40 mil aldeias do Bangladesh. Passados 30 anos, o valor médio de cada empréstimo é de 90 dólares, e dois terços das famílias envolvidas pelo microcrédito, com as mulheres a gerir 95% dos empréstimos, já saíram ou estão em vias de sair da pobreza mais extrema e estão aptas a assegurar uma vida digna.

«Hoje em dia, aquele pequeno passo no longínquo Bangladesh é replicado em mais de oito mil instituições de microcrédito pelo mundo fora. Muito antes de Bono ou Geldof, já Muhamad Yunnus tinha proclamado o objectivo a curto prazo de apoiar cem milhões de famílias pobres e acabar a médio prazo com a pobreza extrema em toda a parte.

«Com a grandeza desta ideia simples os pobres não são necessariamente estúpidos ou indolentes. Têm saberes e vontade para levar um vida digna, feliz, sem dependências. Desde que, também eles, tenham acesso aos meios indispensáveis para poderem construir a sua própria autonomia. C
António Perez Metelo - Redactor principal »»