A CHATICE DOS IDOSOS
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O PESO DOS IDOSOS
Os temas-chave servem de teste: Helena Garrido, quando puxou, com pinça e luvas, o item dos idosos (Diário de Notícias, 21 de Novembro de 2005, «O peso de Viver Mais Tempo») disfarçava mal o facto de o Governo, todo necessariamente jovem e prá-frentex, ainda não ter achado uma solução final, estilo Eichman, para os idosos que persistem em andar por cá.
Aliás, eu defendo essa ideia desde há alguns anos, de quando era 1º ministro o inefável prof. Cavaco, único capaz de pôr em prática a ideia por mim proposta: os idosos todos à frente de um pelotão de fuzilamento com ordem para disparar.
Agora que vai a presidente, vou descobrir no computador, a carta aberta que então lhe escrevi propondo exactamente essa solução para o excesso de população idosa que começa a ser, em toda a Europa, como assevera Helena Garrido, especialista em estatísticas, um grave problema, como acentuava também patrioticamente a Drª Helena Garrido no tal antológico editorial em que não aparece vestida com a bata médica do suplemento «Negócios».
««O PESO DE VIVER MAIS TEMPO
Por Helena Garrido
«Este estranho novo mundo de população envelhecida é hoje um dos maiores problemas das sociedades europeias. A situação da segurança social é apenas a mesma história contada financeiramente
«O Presidente da República parte hoje para uma iniciativa de quatro dias com o olhar nos idosos em Portugal. O programa promete dar a visão do envelhecimento na pobreza e desalento, mas também na actividade. Serão várias fotografias de como Portugal vive o seu envelhecimento, não muito diferente de outros países europeus.
«Histórias de solidão e abandono percorrem as grandes cidades. Há vizinhos e família, mas não há tempo. Na aldeia ainda vai existindo a rede social dos vizinhos quando não há família.
«Há ainda a outra realidade que vai crescendo em Portugal. Os condomínios para idosos, confortáveis e com toda a assistência médica. Uma porta para uma espécie de "Admirável Mundo Novo", com as pessoas organizadas no espaço segundo a idade.
«Este estranho novo mundo de população envelhecida é hoje um dos maiores problemas das sociedades europeias. A situação financeira insustentável da segurança social não é mais que a mesma realidade contada pela falta de dinheiro.
«As imagens de vida reflectem o desequilíbrio entre o aumento da esperança média de vida e uma organização da sociedade que não precisa (ainda?) de pessoas mais velhas. Oferecemos, ao mesmo tempo, a possibilidade e a impossibilidade de viver mais tempo.
«Soluções há. Mas são inviabilizadas pela lógica interna do sistema que se autocondena à destruição global de valor.
«A velocidade com que os instrumentos de trabalho mudam faz dos mais novos os elementos mais atraentes para as empresas. Formar custa dinheiro e os jovens aprendem sem que quase ninguém os ensine. Dispensam-se os mais velhos, que vão aumentando a coluna dos que nada têm para fazer. Que assim se transformam num encargo para a sociedade, que acaba por anular, em termos globais, as eventuais mais-valias que as empresas têm com essa política.
«Romper esta dinâmica e alargar o número de anos de trabalho é uma das saídas. Mas não chega. O envelhecimento da população impõe que se aceite a imigração como uma solução e não um problema. Com a integração de quem chega, que países como a França não souberam fazer, mas que os Estados Unidos tão bem realizaram. Ou viver mais será um encargo para todos, incluindo o próprio.»»

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